Nos dias 10 e 11 de novembro foram comemorados, respectivamente, o Dia Nacional da Prevenção e Combate à Surdez e o Dia Nacional de Alerta ao Zumbido, duas datas integrantes do ‘Novembro Laranja’, ação que, assim como o ‘Outubro Rosa’, tem o objetivo de chamar a atenção da população para a realidade crescente de uma enfermidade -nesse caso, os problemas auditivos.

É considerada surdez a ausência ou diminuição considerável do sentido da audição, e, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil conta com cerca de 10 milhões de surdos -e ainda, de acordo com a Sociedade Brasileira de Otologia, de cada mil crianças nascidas no País, de três a cinco já nascem com deficiência auditiva.

Segundo a otorrinolaringologista e otoneurologista a Dra. Rita de Cássia Cassou Guimarães, de Curitiba-PR, a perda auditiva é uma das deficiências mais comuns na população brasileira. “E as ações que acontecem nesse mês são importantes para nós mostrarmos à população a importância do diagnóstico precoce e dos tratamentos dos mais diversos problemas auditivos”, comenta a especialista.

Rita afirma que a surdez pode se desenvolver de diversas maneiras. Quando genética, pode ser detectada nos primeiros dias de vida -e tratada com sucesso. “O teste da orelhinha é um exemplo disso: exame rápido, obrigatório e indolor, ele pode resgatar a audição em quase 100% dos casos, se realizado nos primeiros seis meses de vida da criança”, enfatiza.

Já na terceira idade, após os 65 anos é a época em que são mais comuns os problemas auditivos devido envelhecimento natural dos órgãos. “Existem diversos tratamentos feitos para melhorar a qualidade de vida das pessoas que sofrem com a perda auditiva. Dentre as técnicas utilizadas para reverter os problemas de surdez existe o implante coclear, que é um dispositivo eletrônico colocado por meio de cirurgia no ouvido interno do paciente, que tem suas fibras nervosas estimuladas.

Outro dispositivo, externo, capta os sons através de um microfone e, após a interpretação da informação no cérebro, o paciente consegue detectar e saber a direção dos sons, além de ouvir barulhos” resume Rita. Porém, a especialista ressalta que a primeira escolha para tratar a perda auditiva –depois do diagnóstico correto– são os aparelhos auditivos, que ajudam tanto na reabilitação da perda auditiva quanto na melhora do zumbido – o implante coclear é outra opção, que pode ser indicado de acordo com o tipo e grau de perda auditiva, tanto para bebes e adultos quanto para idosos.

Segundo a especialista, existem muitos mitos e desinformações sobre surdez, “várias pessoas dizem –sem saber- que não há nada o que se pode fazer para surdez. É um mito. Sempre há alguma coisa a se fazer, a grande maioria das pessoas podem sim ser ajudadas, e o ‘Novembro Laranja’ é uma ação que possui o objetivo de mostrar isso à população” exalta. A especialista enfatiza a importância de consultar o medico na suspeita de dificuldade em ouvir e/ou entender a fala de familiares ou pessoas próximas – esse pode ser um indício de perda de audição.

Rita também cita como a tecnologia se tornou uma aliada para a comunicação entre surdos e ouvintes, como a criação de aplicativos como o ProDeaf Móvel, o primeiro aplicativo gratuito que traduz Português para a Linguagem Brasileira de Sinais (Libras): “Existem os não ouvintes que não querem participar do ‘mundo’ dos ouvintes e desenvolvem a Libras. Porém, muitos ouvintes não entendem a linguagem de sinais e, para conseguirem se comunicar de fato, esse aplicativo pode ser uma solução”.

PLANTÃO CAPIXABA | REDAÇÃO MULTIMÍDIA

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