POR RODRIGO CORREIA DA SILVA*

A data mais aguardada do ano para a maioria das pessoas já era antes temida por muita gente. Este ano ficou ainda pior. O materialismo ligado ao Natal e a ideia de que a data precisa ser relacionada a presente deixa aqueles que têm o orçamento comprometido por outras necessidades em pânico. Como lidar com a expectativa dos pequenos se ela não pode ser atendida pois existem necessidades maiores, de saúde?

Se anualmente as pessoas com doenças crônicas já sofrem para conseguir arcar com todos os produtos para a manutenção da saúde e ainda, em dezembro, presentear aqueles que amam, em 2020 tem um fator agravante: a Covid-19 gerou uma crise econômica e, simultaneamente, levou o consumo para o mundo digital. Isso significa mais compras pelo cartão de crédito, o que significa um uso maior do limite, o que resulta em uma sobra menor, quando não inexistente, para a compra de itens médicos para necessidades crônicas ou até emergências imprevisíveis.

Localizar e comprar produtos médicos especiais em um local físico não é fácil. Muitos não estão nas Drogarias e as Casas que comercializam são escassas e com estoque falho. Existe um mercado especializado nisso, mas que muitas vezes não chega in loco a cidades mais afastadas dos grandes centros e, mesmo neles, estão em poucos pontos. A compra através da internet acaba sendo uma saída. Mas aí sem crédito, nada de compra. Só que sem a compra, quem enfrenta alguma enfermidade que exige cuidado contínuo fica sem acesso a ele.

Dados do IBGE mostram que mais de 40% da população adulta possuem pelo menos uma doença crônica, como a diabetes. Isso resulta em um gasto anual de R$ 1,25 bilhões com a aquisição direta de produtos de saúde. Em um ano em que a crise atingiu em cheio os brasileiros e a pandemia levou ainda mais gente a necessitar de cuidados em casa, dá pra imaginar o que a ausência de crédito para essas compras pode fazer com quem precisa.

O impulso do consumo natalino gera estresse em pessoas que não precisavam de mais uma preocupação. Mal deu tempo delas esquecerem das ofertas da black friday e já chegou a hora de ir atrás de novas compras. Tudo para não decepcionar aqueles que esperam que o bom velhinho nunca venha de mãos abanando.

Acontece que 2020 tentou dar uma lição: não existe maior presente que a vida. Uma revisão do comportamento de compradores e fornecedores de produtos é essencial, pena que o momento de crise e necessidade de sobrevivência do comércio não propiciem essa mudança quando ela é mais necessária.

*RODRIGO CORREIA DA SILVA é CEO da Suprevida, plataforma que conecta informações, serviços e produtos de saúde.

PLANTÃO CAPIXABA – A GENTE MOSTRA O ESPÍRITO SANTO! | REDAÇÃO MULTIMÍDIA

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