Prefeito assina Ordem de Serviço para reforma do MUCANE

O Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas” (Mucane) completou 28 anos nesta quinta-feira (13/05) e ganhou um presentão. O local, que reforça o valor da cultura e da identidade negras, passará por obras de reparos.

A ordem de serviço foi assinada nesta manhã pelo prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, ao lado do secretário municipal de Cultura, Luciano Gagno. Serão investidos R$ 59.465,07 nos trabalhos corretivos e preventivos, que devem durar 30 dias.

A restauração prevê substituição do forro de gesso, acabamento e pintura do hall de entrada e do auditório, aplicação de manta asfáltica nos dois ambientes e limpeza de calhas e coletores no telhado.

“Reconhecemos a luta dos movimentos negros. Por isso é fundamental o desenvolvimento de ações afirmativas e concretas. Nós só vamos construir uma cidade de paz e igualdade a partir do momento em que reconhecermos nosso déficit histórico, não só na nossa cidade ou no Espírito Santo, mas em todo o Brasil. É a partir desse reconhecimento de tantas injustiças que poderemos desenvolver ações completas e eficazes que contribuam para mudar essa realidade”, afirmou Pazolini.

O prefeito completou: “Eu tenho certeza que esse espaço representa a vida, a alegria, a construção coletiva e, sobretudo, a união de todos da sociedade. É dessa união que a cidade precisa mais do que nunca neste momento, dentro do cenário de pós-pandemia. Vitória tem uma população de quase 400 mil habitantes, o Espírito Santo, quase 4 milhões, uma terra próspera, digna, mas que precisa cuidar melhor da população negra”.

“Estamos honrados com a atenção que a nossa pasta vem recebendo do prefeito. Poder iniciar obras tão necessárias para o Mucane, nesta data tão marcante, nos motiva a trabalhar muito para que a Cultura na nossa capital seja uma referência para todo o Estado”, afirmou Luciano Gagno.

“Muitos caminharam para que esse espaço fosse constituído. Eu acredito muito no exercício da função pública, que precisa ser responsável e eficiente. É muito importante para nós termos esse local reformado. Um lugar que não é específico para a população negra, mas para todos os munícipes. O Mucane é uma referência no País. Um dos poucos museus que realizam esse trabalho de manutenção da memória por meio de diversas linguagens artísticas”, afirmou a coordenadora do Mucane, Thaís Souto Amorim.

Tunico da Vila

MUSEU

Criado em 13 de maio de 1993, no governo estadual de Albuíno Azeredo, um dos primeiros governadores negros do Brasil, o Mucane está instalado em um prédio histórico, construído em 1912.

Equipada com cantina, auditório, biblioteca, área de eventos, espaço para exposições e mezaninos, a instituição realiza cursos e oficinas de formação cultural, debates, mostras e apresentações voltadas à história e à identidade negras.

Antes de se tornar um museu, o edifício abrigou, logo na sua inauguração, uma casa de couros e, depois, farmácia. Em 1923, tornou-se propriedade do Governo do Estado, passando a sediar o Correio de Vitória, o Departamento de Estatística Geral e o Departamento Estadual de Cultura.

Desde 2008, o espaço está sob gestão da Prefeitura de Vitória.

VERÔNICA DA PAS

O Mucane carrega, também, o nome de Maria Verônica da Pas, que integrou a comissão para a criação do museu e foi a primeira coordenadora da instituição.

Formada em Medicina pela Emescam, ela foi defensora da desinstitucionalização da saúde mental, militou no movimento negro, participou da coordenação do projeto cultural afro-brasileiro da sub-reitoria comunitária da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e organizou o Seminário Internacional da Escravidão, em 1988.

Retrato da Coordenada do MUCANE – Thais Amorim

SEMANA DA DENÚNCIA CONTRA O RACISMO

Se a manhã do aniversário do Mucane foi de solenidade, a noite será de festa! A partir das 21 horas, o canal do YouTube da PMV exibe o show especial “Tunico da Vila e do Terreiro”.

A gravação do especial foi realizada na sede do Mucane, no dia 4 de maio, e faz parte da “Semana da Denúncia contra o Racismo”, que é organizada pela Secretaria Municipal de Cultura (Semc). A programação teve início na última segunda (10) e vai até amanhã (14).

No repertório de Tunico da Vila, estão sambas de partido-alto, sambas de roda e sambas de terreiro. O show on-line convoca o público a refletir acerca do racismo racial religioso.

“Sou um sambista de terreiro, o samba nasceu lá. Canto há 35 anos, sou responsável pelos cânticos na minha cultura. A Lei Áurea proibiu a escravidão no País à custa de muita luta e de muitas revoltas do povo negro. A abolição não resolveu por si as questões graves acerca da inclusão dos negros libertos no Brasil, por isso estou aqui enfatizando uma delas, que é o preconceito contra as religiões negras: candomblé e umbanda. Os movimentos negros precisam existir porque ainda há muito o que se conquistar no século 21, eu faço a minha parte, levo a nossa música como forma de combater as violências verbais, físicas e simbólicas”, falou Tunico.

PROGRAMAÇÃO

Hoje (13/05) – 21h – “Tunico da Vila e do Terreiro” (Tunico da Vila);

Sexta-feira (14/05) – 20 h – “Estandarte negro – do Maciço Central ao Armazém” (Rômullo Corrêa).

PLANTÃO CAPIXABA – A GENTE MOSTRA O ESPÍRITO SANTO! | REDAÇÃO MULTIMÍDIA

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