“Eu não sei por onde recomeçar a minha vida”. Essa frase foi dita por Larissa Morassuti, de 36 anos, única sobrevivente do desabamento de um prédio de três andares, no bairro Cristóvão Colombo, em Vila Velha, no dia 21 de abril.

Com um vídeo publicado em suas redes sociais, na noite desta quinta (28/04), essa é a primeira vez que Larissa fala publicamente, após o acidente.

“Não dei uma satisfação antes porque eu não tinha acesso a celular dentro da UTI e a equipe médica também era proibida de me passar qualquer informação externa”, explicou a vítima, que se emocionou em vários momentos da gravação de 22 minutos e 16 segundos.

De acordo com ela, desde que saiu do hospital, na quarta-feira (27), ela precisou resolver muitas coisas e uma delas foi comprar um celular para tentar recuperar seus contatos.

Entre as burocracias do dia a dia, como questões de documentação e situações envolvendo seu pai, Eduardo Cardoso, de 68 anos, que morreu no desabamento, a sobrevivente fez questão de tirar um tempo do seu dia para agradecer a quem torceu e ajudou de alguma forma e dar uma satisfação sobre o caso.

“Eu não falei antes com vocês porque a vida está um caos. Eu ainda nem vi a minha família. Para vocês terem ideia, a minha irmã tem uma outra filha, que não estava no acidente e eu ainda nem vi a minha sobrinha. Ainda não vi o meu tio, que quase infartou quando ficou sabendo do acidente, minha tia. Eu realmente não tive condições, então é por isso que essa resposta para vocês demorou”, explicou.

CULPA

“Sinceramente, desde o hospital, eu estou fazendo tratamento psicológico, mas existe culpa. Eu me sinto culpada de ter sobrevivido. Eu não sei como a internet vai me julgar quando eu falo isso, mas eu me sinto culpada de ter sobrevivido sozinha. Por que eu sobrevivi?

E, quando eu falo isso, minha família fica triste, mas é o que eu sinto. Obviamente eu vou fazer tratamento psicológico pra superar tudo isso. Sobre essas questões psicológicas e espirituais…é fisicamente, humanamente, impossível alguém passar por um desabamento como aquele e não quebrar nada e eu saí com cortes e só. Foi um milagre.

Eu sei que foi um milagre. Só que, nas questões espirituais e, todas as pessoas que eu encontrei na rua falaram: ‘Deus tem um propósito na sua vida, para você ter sobrevivido’, só que eu ainda não sei qual é esse propósito. Mas a minha família precisava morrer para que o meu propósito se cumprisse?”

SAUDADE

“Eu ainda estou nesse processo de aceitação. Estou sendo forte. A maioria das pessoas que me vê na rua, não me vê chorando. Ainda não caiu minha ficha de que eu não vou ter meu pai todo dia para tomar café comigo.

Eu fazia café de manhã e mandava uma mensagem pra ele: ‘vem tomar café, véio’ (sic), porque eu chamava ele de ‘véio’ (sic), e ele falava ‘estou subindo’. Ainda não caiu a minha ficha de que não vou ter mais minha irmã.

Então, essas questões psicológicas, eu ainda não superei. As questões burocráticas, eu não tenho muita opção.

PLANTÃO CAPIXABA – A GENTE MOSTRA O ESPÍRITO SANTO! | REDAÇÃO MULTIMÍDIA | COM INFORMAÇÕES DO PORTAL TRIBUNAL ONLINE

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